O barbatimão (Stryphnodendron adstringens) é uma planta medicinal brasileira muito conhecida pelo uso tradicional externo em feridas superficiais, assaduras e cuidados da pele. Sua casca é rica em taninos, compostos responsáveis por sua forte ação adstringente.
Nome científico: Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville
Nomes populares: barbatimão, barba-de-timão, casca-da-virgindade, uabatimô, barbatimão-verdadeiro
Origem: Cerrado brasileiro e formações savânicas da América do Sul
Partes utilizadas: cascas do caule, usadas em decocções, extratos, cremes e preparações tópicas
Na fitoterapia brasileira, o barbatimão se destaca como cicatrizante tradicional de uso externo. A Anvisa inclui a planta no Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira e a Farmacopeia Brasileira possui monografia para a casca de barbatimão.
O uso deve ser feito com cautela, principalmente porque a casca é rica em taninos e pode causar irritações se aplicada de forma inadequada. Além disso, a coleta predatória das cascas pode prejudicar a planta, tornando importante o uso de matéria-prima de origem responsável.
Origem e cultivo
O barbatimão é uma árvore típica do Cerrado, encontrada em áreas abertas, campos e formações savânicas. Possui casca espessa, rica em compostos adstringentes, e folhas compostas características da família Fabaceae.
A colheita e o armazenamento devem respeitar a parte vegetal utilizada, a correta identificação botânica e boas práticas de secagem, evitando umidade, contaminações e perda de compostos aromáticos ou marcadores de qualidade.
Composição e Benefícios
A casca do barbatimão contém alta concentração de taninos condensados, além de proantocianidinas e outros compostos fenólicos. Esses constituintes estão associados ao efeito adstringente, ao uso tópico e ao interesse em estudos sobre cicatrização.
Principais benefícios:
Ação adstringente
Os taninos promovem sensação de contração dos tecidos, característica valorizada em preparações tópicas.
Uso cicatrizante tradicional
Reconhecido no Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira para uso como cicatrizante.
Cuidados da pele
Pode ser usado em formulações tópicas para assaduras e pequenas irritações, com orientação adequada.
Compostos fenólicos
A presença de proantocianidinas e taninos explica o interesse farmacognóstico pela planta.
Planta do Cerrado
É uma espécie importante da biodiversidade brasileira, associada ao uso popular e à fitoterapia nacional.
Modo de Uso
Decocção para uso externo
Modo de preparo:
- 1 colher de sopa de casca seca de barbatimão
- 250 ml de água
Ferver a casca em água por cerca de 5 a 10 minutos, desligar, tampar, deixar amornar e coar. Utilizar externamente em compressas, quando apropriado.
Contraindicações e Precauções
- Não aplicar em feridas profundas, extensas, infectadas ou com necessidade de drenagem sem avaliação profissional.
- Evitar uso interno sem orientação especializada.
- Gestantes, lactantes e crianças devem usar apenas com orientação profissional.
- Pode causar irritação em peles sensíveis; suspender em caso de ardência, coceira ou piora local.
Curiosidades
O nome barbatimão é utilizado popularmente para diferentes espécies, mas a espécie de referência na Farmacopeia Brasileira é Stryphnodendron adstringens. A riqueza em taninos fez da planta uma das mais conhecidas adstringentes naturais do Brasil.
Referências
Anvisa – Farmacopeia Brasileira, 7ª edição – Plantas medicinais, barbatimão, casca PM017-00 (Anvisa)
Anvisa – Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira – Barbatimão (Anvisa)
Ministério da Saúde – Informações sistematizadas sobre Stryphnodendron adstringens (Ministério da Saúde)
Embrapa – Stryphnodendron adstringens: Barbatimão (Embrapa)
Foto: Maurício Mercadante no Flickr
As informações deste conteúdo são apenas informativas e não substituem a orientação de médicos, farmacêuticos, nutricionistas ou outros profissionais de saúde. Apesar de naturais, as plantas medicinais podem apresentar contraindicações, efeitos adversos e interações com medicamentos. O uso deve ser feito com cautela, especialmente por gestantes, lactantes, crianças, idosos e pessoas em tratamento de saúde.